Dismorfofobia: a obsessão pela beleza
O culto à beleza de forma obcecada gera insatisfação com a pele, os cabelos e o corpo em muitas pessoas. Essa obsessão e a necessidade de ser “aprovado” pela sociedade faz com que muitas pessoas passem a sofrer um transtorno chamado Dismorfofobia. Um transtorno psiquiátrico que gera preocupação excessiva com um defeito “imaginado” na aparência.
O comportamento de um portador da Dismorfofobia se caracteriza pela verificação excessiva da falha da aparência que imagina ter: pequenas manchas na pele, linhas de expressão não perceptíveis, entre outros. Estas pessoas também sempre se comparam com as outras, e tocam a área “anormal” várias vezes ao dia, como forma de verificação. Hábito comum para diminuir o sofrimento é a camuflagem com make-up, roupas, cabelo e mudança da postura. O transtorno pode ser percebido em todas as idades, mas é mais frequente no início na adolescência, tanto em mulheres quanto em homens, atingidos não só pelos meios de comunicação, mas por suas próprias exigências do que julgam ser “correto e belo”.
Ao procurar um especialista para o tratamento, os portadores de Dismorfofobia tentam manipular o profissional para fazer o tratamento que eles julgam correto. A intensidade do transtorno pode gerar depressão e em casos mais graves o suicídio. Porém, assim como tudo que é exagerado tende a causar prejuízos, neste caso não é diferente.
Na busca pelo tratamento, é necessário ter consciência de que a pele é um órgão importante, que reveste o corpo e precisa ser cuidado com atenção. O excesso de preocupação deve ser desencorajado, pois cada pele tem um tipo e reage de modo particular ao stress do dia a dia, às doenças e aos tratamentos a ela instituídos.
Devido à falta de informação, é comum a busca por profissionais não capacitados que oferecem tratamentos com valores bem abaixo do mercado especializado. Um exemplo comum são os sites de compra coletiva com “pacotes” de tratamento e até toxina botulínica vendida em pequenas quantidades.
A pele é um órgão complexo e somente o dermatologista é qualificado para tratá-la. Não só no âmbito cosmiátrico, mas principalmente no clínico e cirúrgico. Procedimentos realizados por “profissionais não especializados” podem se converter em mal sucedidos deixando a pele manchada, queimada, com cicatrizes e feridas, casos muitas vezes de difícil reversão.
Ao perceber sinais de Dismorfobia, o dermatologista deve instituir tratamento em conjunto com o médico psiquiatra, para que ele entenda seu problema e evite consequências. Assim terá pele e mente saudáveis.
* por Carla Botasso, médica, especialista em Dermatologia e pós-graduada em Dermatocosmiatria e Laser. É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

