A nova guerra nas estrelas
Sem dúvida, um dos grandes assuntos da atualidade é a decadência dos EUA, iniciada com a crise dos subprime de 2008. No inicio da década passada, o “Washington Post” publicou em artigo que, mantidas taxas constantes para o PIB, a China se igualaria à América em 60 anos! Como se vê, a condição ceteris paribus é uma ilusão dos economistas, tantas são as causas que nem vale a pena iniciar aqui uma discussão sobre elas.
Alguém imaginaria que a Europa poderia tornar-se um lugar privilegiado para o turismo – e nada mais? Com seu inevitável declínio (que dizem terminal) o que resta aos europeus senão voltar-se para o lazer e a contemplação da história? Naturalmente, muitos discordarão; meu amigo Von Tempski-Silka, de Curitiba, argumenta que o MCE poderá voltar-se para a alta tecnologia e serviços sofisticados. Sim, mas alguém acredita que os metódicos ingleses tolerarão os prolixos franceses, que os rigorosos alemães se darão bem com belgas e portugueses e os italianos esquentados com os ardentes espanhóis? A Europa, em 2030, tornar-se-ia uma grande Suíça, cuja produção bruta medida pelo PIB seria relativamente pequena, como o é sua população e seu território.
Não há como fugir da implacável Lei da Economia de Escala, que premia o país que produz mais com menores custos unitários, grandes e disciplinadas populações e vastos territórios. Não é esse o retrato perfeito da Índia e da China? Agora, na companhia dos dois gigantes asiáticos se colocam outros dois colossos, com populações menores, mas extensões territoriais comparáveis: Estados Unidos e Brasil. Sim, estamos destinados a alimentar o mundo através da vastidão de terras agricultáveis inexploradas e safras duplas que produzirão na próxima década algo como 300 milhões de toneladas de grãos.
São muitas as condicionantes e fatos novos que podem alterar esse cenário: uma guerra entre Irã e Israel, a crescente animosidade entre China e Japão ou uma explosão de progresso na África e Rússia sem mencionar pragas, desastres (naturais ou não) e políticos ensandecidos. Fala-se agora de um ressurgimento americano, que eliminará sua dependência energética (através do gás natural), dará um salto qualitativo na educação e apresentará novos e surpreendentes resultados da combinação de empreendedorismo, criatividade e tecnologia fina. Veríamos não um escudo militar, como o queria Reagan com sua Guerra nas Estrelas (que ajudou a destroçar os soviéticos), mas um escudo econômico e tecnológico, de profundo impacto na geopolítica e na economia mundial.
E quanto ao Brasil? Assistiremos a tudo reagindo com o atraso habitual em relação às violentas transformações por que passará o mundo?
* por Miro Hildebrando, doutor em economia / artigo publicado no jornal A Notícia

