Os preferidos são os mesmos
Você pensa em abrir um negócio? Se sim, em qual área gostaria de atuar? O segmento preferido dos empreendedores mineiros neste ano, segundo levantamento da Junta Comercia do Estado de Minas Gerais (Jucemg), ficou com o segmento de restaurantes e similares, seguido pelas lojas de vestuário e acessórios. Nos primeiros sete meses de 2015, a colocação se inverteu, com as lojas de vestuário e acessórios com o primeiro lugar na preferência dos empresários do Estado.
A administradora de empresas Luisa Maia Pimentel optou pela área da beleza e vai abrir uma esmalteria neste mês no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. “Já está tudo pronto para funcionar”, diz. A área é uma das prediletas pelos microempreendedores individuais (MEIs) em Minas Gerais, desde que foi iniciada a formalização em 2009 até julho deste ano, conforme levantamento do Sebrae Minas. O setor de serviços de estética e cuidados com a beleza ocupou a sexta posição entre as áreas mais procuradas. A empresária disse que a opção foi bem analisada. “Eu vi que tem público na região, fiz uma análise de mercado. É um local com muitos escritórios, com pessoas com pouco tempo”, diz.
E a esmalteria não é o único negócio de Luísa. No ano passado, foi a vez de uma cafeteria na mesma região. Ela conta que a vontade de ser empresária surgiu aos poucos. E a primeira área de atuação escolhida por Luísa, que engloba lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares, foi o terceiro setor mais procurado pelos empreendedores de Minas na hora de abrir um negócio nos primeiros sete meses do ano, conforme dados da Jucemg. E é também a quinta preferida pelos microempreendedores individuais, conforme o Sebrae.
Para a empresária, o principal erro do empreendedor é a falta de conhecimento de mercado. “As pessoas fantasiam muito na hora de abrir uma empresa. É importante ter o perfil empreendedor, saber analisar diversas variáveis, como custos e localização e saber calcular o preço do produto ou do serviço que vai oferecer”, observa.
Ela ressalta que, com a crise, algumas pessoas acabaram abrindo negócio por necessidade, em razão do desemprego, embora nem todos tivessem o perfil empreendedor. “Muita gente vai dar certo e muita gente vai acabar fechando as portas depois de algum tempo”, diz.
Para o analista do Sebrae Minas Haroldo Santos, o melhor momento para abrir um negócio é quando se tem um oportunidade bem definida. “Consideramos esta oportunidade quando se tem uma clareza dos motivos que levam alguém a pagar pelos produtos ou serviços oferecidos”, diz.
Ele observa que em momentos de mudanças na economia, essas oportunidades não estão bem claras ou são impactadas por fatores que ainda não se consolidaram. “Por isto, muitos optam por aguardar, para determinar as características e fatores que afetam o mercado e, assim, tomar uma decisão. Lembramos que, muitas vezes, ao aguardar, se perde o momento de uma oportunidade de negócio, pois todo negócio tem seus riscos”, alerta.
MEI
Perfil. Para ser microempreendedor individual (MEI), é necessário ter um faturamento de, no máximo, R$ 60 mil e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular.
Antes de abrir
Dicas do analista do Sebrae Minas Haroldo Santos antes de ingressar no mercado:
» Identifique se possui o perfil de empreendedor;
» Ao escolher o ramo em que gostaria de atuar, busque o equilíbrio entre emoção e razão. Para ter sucesso, não é suficiente apenas fazer o que se gosta;
» Procure informações sobre o ramo de atividade em que você pretende atuar;
» Pesquise o local em que gostaria de instalar a empresa;
» Conheça a legislação do segmento no qual você pretende atuar;
» Analise o perfil do público que sua empresa quer atender;
» Se quer mesmo ser empreendedor, é indispensável fazer um planejamento.
LADO RUIM
Pagar muitos impostos é uma das principais reclamações
Se você decidiu que quer mesmo ser empresário, saiba que há prós e contras nessa escolha. É o que mostra a pesquisa O Céu e o Inferno do Empreendedorismo, do Sebrae. O levantamento revela que a melhor parte de ter o próprio negócio é fazer o que gosta. A vantagem foi apontada por 62% dos entrevistados. E um dos infernos, na análise dos empresários, é pagar muitos impostos, citado por 41%.
Para o engenheiro ambiental Marcus Gustavo Della Lucia, as piores partes do inferno são o acesso ao crédito e o excesso de impostos. “Só para assinar carteira de um funcionário, pagamos 60% a mais, além do salário”, reclama.
Ele afirma que só não tinha ilusões de que trabalharia menos e ganharia muito mais ao abrir a Cfal Consultoria Florestal e Ambiental. “Tem muita insegurança, pois a gente fica à mercê da economia”, diz.
No céu do empreendedorismo, fazer o que se gosta é a melhor parte. O dono da lavanderia Master Clean, Luiz Fernando Salgado, exemplifica. “Eu faço o que gosto, da melhor maneira possível. Minha situação financeira é melhor do que se eu fosse empregado, mas tenho que admitir que tempo eu não tenho”, disse.

Queila Ariadne/ O Tempo

