Políticos, política e o Brasil
Todos viram governantes explicando as tragédias de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, e minha memória recordou as desgraças que o povo brasileiro vem passando nos últimos anos. Alguns segundos depois, acentuadas e exacerbadas pelos últimos meses, combinado com promessas que políticos fazem, e não cumprem, confesso: senti nojo. Como queria compartilhar sensações, fui ao dicionário e procurei por “nojo” para me certificar quanto ao uso. Encontrei “náusea, enjoo, repulsão, repugnância, asco, pesar, desgosto, tristeza, tédio, aborrecimento”.
Foi isso que senti. Ouvir as explicações de governantes dá vontade de chorar. Discursos repletos de desculpas e de promessas do que vão fazer para que tais acontecimentos não se repitam. Náusea. É sempre assim: o que vão fazer daqui em diante. E quando os ouço, penso no que sinto: repugnância.
A incúria, descaso, incompetência, corrupção e negligência dos governantes é o que está acontecendo. Claro que há exceções, mas em geral é apenas blá-blá-blá. Asco. E não adianta culpar seus predecessores. Quem está no poder é responsável, inclusive, por corrigir o passado. Como candidatos, sabiam dos problemas e entre eles a força da natureza; para isso, os planos de urbanização. Referências pontuais aos seus “planos de ação”. Se eleitos, iriam trazer melhorias. Desgosto. Depois de eleitos, aparecem as desculpas: falta de verbas, déficits do governo anterior, dívidas a pagar.
Mas como são gastadores; gastam, mas não investem. Tristeza. Não preciso me alongar, todos vivenciamos momentos de pré e pós-eleição e assistimos à morte e desalojamento de pessoas que de repente se veem na rua, sem mais nada, totalmente humilhadas. E a culpa é da chuva e das próprias vítimas. A culpa é de quem constrói em áreas de risco. Por acaso essas pessoas são versadas em geologia?
Moram nessas áreas porque são teimosos – como ouvi um político explicar. “As pessoas sabiam que havia risco, foram informadas, mas construíram assim mesmo.” A quem compete cuidar da população? O que foi prometido desde vereadores ao presidente? Segundo a divisão dos poderes, a responsabilidade, nesses casos, é dos prefeitos. Nojo. São estes que devem elaborar os planos de urbanização e para isso ajudados pelo Estado e pela União. Se há risco iminente, a prefeitura deve agir e impedir que essas áreas sejam ocupadas.
Uma fiscalização rígida, impedindo o assentamento e oferecendo lugares mais adequados. Os prefeitos devem utilizar os recursos para benefício da população, isso é política. Para isso, foram eleitos. Aborrecimento. Construir casas para quem precisa, facilitando a compra. Resumindo: eles nos dizem que vão trabalhar por nós e que farão tudo para melhorar as condições do povo em saúde, educação e saneamento básico.
Pois bem, em mais alguns dias vamos assistir ao início dos candidatos subindo em palanques e nos convencendo das coisas boas que vão fazer. Repulsão. Eu não acredito mais, mas como somos fiéis aos princípios democráticos, vamos novamente às urnas para eleger esses candidatos. Como somos obrigados a votar, façamos melhores escolhas. E em minha opinião é retirar os que aí estão e substituir por novos. Lembrar do “mensalão”. Quem sabe acertamos. Segundo o Aurélio, política é a arte de bem governar os povos; o que não está acontecendo. Nojo, sim, porque pelo menos eu estou nauseado, enjoado, com repugnância, asco, pesar, desgosto, tristeza e tédio pela situação que continua a acontecer entre os políticos, a política e o Brasil.
* por Nuno de Lima Netto, professor e consultor de empresas / artigo publicado no A Notícia
