Quanto custa a vida do trabalhador?
Notícias sobre acidentes de trabalho são cada vez mais frequentes. São trabalhadores despencando de prédios, como folhas caem das árvores. São braços, pernas, dedos machucados e, em certos casos, até amputados. Muitos olhos se apagam, outros tantos ouvidos ensurdecem. Centenas de vozes se calam, e o que mais chama a atenção: os milhares de vidas que partem e deixam saudades. Com tantos acidentes registrados, algumas questões emergem à nossa mente: será negligência ou falta de conhecimento? De quem é a culpa por tantas tragédias nos ambientes de trabalho? Quais são os reflexos que eles trazem à sociedade? E a maior delas: quanto custa a vida do trabalhador?
O Brasil apresenta uma estatística alarmante: morrem nove trabalhadores por dia. Na maioria das vezes, o responsável é o próprio trabalhador, que não dá o devido respeito ao risco que se apresenta à sua frente. Quando não há prevenção, os riscos com os acidentes são sempre maiores.
Você sabe quanto custa um olho? Parece mentira, mas custa menos de R$ 5. Um par de óculos de segurança, que serve para proteger contra fagulhas, por exemplo, chega a custar esta quantia. O que falar então de um protetor auricular – menos de “dois pilas”. Porém, às vezes, a preguiça ou a falta de previsão é tão grande que parar seu serviço, buscar seu equipamento de proteção individual (EPI) e usá-lo, demandam muito tempo. Ledo engano.
Os reflexos para a sociedade são impagáveis. Trabalhadores ficam “encostados” por falta de condições físicas, enquanto os cofres da Previdência arcam com o prejuízo. Muitas vezes. os acidentados precisam até trocar de profissão, ou mesmo deixam de produzir ativamente para o progresso do País, aposentando-se por invalidez, de forma prematura.
Há algumas semanas, um amigo confidenciou que foi salvo por um cinto de segurança. Ele estava trabalhando em uma torre de 40 metros quando, de repente, “perdeu o chão”. Ao se dar conta do ocorrido, sentiu-se literalmente como o Homem-aranha, pendurado pelo cinto salvador. O pior não aconteceu graças à sua responsabilidade de, lá no alto, estar utilizando o apetrecho que lhe custou R$ 600.
Pior que os trabalhadores que se sujeitam a desenvolver suas atividades em condições precárias são seus patrões que, na ânsia de fechar um negócio barato, baixam o preço do serviço, por não investir na segurança dos seus colaboradores, deixando de adquirir os EPIs necessários.
Vale a reflexão. É melhor prevenir do que chorar. Acidentes acontecem e não mandam recados. A melhor prevenção é – e sempre será – o bom senso e o investimento na segurança.
* Alfredo Leonardo Penz, professor e mestre em educação e cultura / artigo publicado no A Notícia

