A eleição e o agronegócio
Os depoimentos dos três principais candidatos à Presidência da República, exibidos recentemente em vídeo em São Paulo, frustraram o público presente ao 9° Congresso Brasileiro do Agronegócio. Os presidenciáveis Dilma, Serra e Marina receberam um diagnóstico sobre as demandas do setor, com um plano de metas para o período 2011-2020. O documento foi preparado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), com contribuições de mais de 50 entidades. Queríamos conhecer o programa de cada um dos presidenciáveis sobre questões estratégicas: garantia de renda ao agricultor, logística, defesa agropecuária, comércio exterior, pesquisa. As respostas dadas pelos candidatos deixaram em todos nós uma sensação de vazio.
É verdade que todos eles elogiaram o agronegócio e destacaram o seu papel de protagonista, nos próximos anos, para o crescimento da economia e a erradicação da pobreza no país. Mas faltaram propostas concretas para as questões apresentadas. Em 2009, as exportações brasileiras de produtos do agronegócio ficaram próximas a 100 milhões de toneladas. Na próxima década, haverá um acréscimo de 70 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil deverá ser o responsável pelo suprimento de cerca de 50% do mercado internacional de oito das principais commodities. Teremos, também, que abastecer com alimentos, fibras e combustíveis o mercado interno, com sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Portanto, o agronegócio deve ser tratado com absoluta prioridade, com metas e ações estratégicas. É uma questão de Estado e não de governo.
As respostas genéricas dos candidatos sobre questões urgentes do agronegócio refletem a falta de conhecimento e o pouco interesse da sociedade em relação ao setor.
* por Carlo Lovatelli, Presidente da Abag / artigo publicado no Diário Catarinense

