Cavalgando o dragão
Ao longo do século 20, a diferença de renda entre países ricos e pobres pouco se alterou. Alguns países, como a Coreia do Sul, subiram degraus na hierarquia mundial de riqueza, mas esta se manteve, como um todo, estável. A ascensão da China, país que contém 20% da população mundial, pode alterar este quadro, desde que não implique declínio de outros países em desenvolvimento. Embora certos setores da economia brasileira, especialmente o de exportação de commodities, tenham se beneficiado do crescimento chinês, outros, como a indústria de manufaturas, são ameaçados pela concorrência asiática.
Consequentemente, há anos, industriais brasileiros demandam proteção do governo, movimento que parece se intensificar atualmente, como mostram as declarações recentes de Armando Hess, presidente da catarinense Renaux View, e de Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp.
É interessante que agora não apenas a indústria se mostra incomodada, mas, também, os empresários envolvidos no setor primário, principal beneficiário do crescimento asiático. O investimento chinês em compra de terras no Brasil cresce e, com isso, chineses podem passar a controlar as duas extremidades de importantes cadeias produtivas primárias ao terem a posse da terra e serem os principais compradores do produto exportado.
Em reação, o governo federal, recentemente, aprovou limitações à compra de terras por estrangeiros, caminho que parece ser também o da Argentina, outro país que se beneficia da crescente demanda chinesa por soja, principal produto agrícola do Brasil.
Esta deve ser a postura do Estado brasileiro, implementando políticas que acomodem a meteórica ascensão chinesa, de modo a aumentar ganhos e minimizar perdas para a economia no país.
Assim, o milagre asiático pode trazer a reboque outros países em desenvolvimento, reduzindo as desigualdades internacionais em matéria de riqueza.
* por Felipe Amin Filomeno, economista e sociólogo / artigo publicado no Diário Catarinense

