A recuperação das exportações de Joinville
Nos primeiros oito meses de 2010, as exportações das empresas de Joinville alcançaram o patamar de 2008, o melhor ano das vendas no exterior para a cidade. Em 2009, relativamente a 2008, houve queda de 24,4% no mesmo período. No Brasil, o acumulado até agosto de 2010 ficou 3,63% menor do que no mesmo período de 2008. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior.
O perfil das exportações de Joinville mudou pouco. Os quatro principais destinos se mantiveram na mesma posição, respondendo por 44,4% em 2008, e 41,5% em 2010, depois de ficar com apenas 37,4% em 2009. No Brasil, a ordem dos primeiros quatro países de destino se alterou e o percentual do total exportado elevou-se de 37,7% em 2008 para 39,5% em 2010.
Os bens de capital aumentaram a participação no total exportado, por Joinville, de 36,6% para 37,7%, entre 2008 e 2010, enquanto que os bens intermediários, que já respondiam por 52,7%, mantiveram o mesmo percentual. Os bens de consumo, com uma queda muito pequena, ficaram com 9,33%. Os números não podem ser comparados com os do Brasil, pois esses se concentram especialmente nos bens intermediários e matérias-primas.
O número de empresas exportadoras de Joinville se manteve, entre 2007 e 2009, porém as quatro com maior participação responderam por mais de 70% do total exportado em 2010. No Brasil, o número de exportadores caiu 4,5% entre 2007 e 2009.
A recuperação das exportações refletiu no crescimento do emprego formal. Pelos dados do Ministério do Trabalho e Emprego, de janeiro a agosto de 2010, o emprego em Joinville cresceu 6,03%, percentual ligeiramente superior ao do Brasil, de 5,9%. Nos primeiros oito meses de 2009, o percentual de Joinville era de 3,1%, e o do Brasil, 2,1%.
Ainda que as exportações tenham se recuperado em termos de valor, comparando-se com 2008, houve uma pequena queda se levarmos em conta sua participação no PIB de Joinville. Tomando-se os números do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (IPPUJ) e se projetando um crescimento com os percentuais confirmados para 2009 e os sugeridos para 2010, se teria uma participação das exportações de 35,06% no PIB do município em 2007 e apenas 28,08% em 2010. Já, no caso brasileiro, a participação seria de 11,76% em 2007 e 10,59% em 2010.
O crescimento das economias local e nacional ocorreu em função da reação da demanda interna. Se não fosse a crise, as exportações teriam se expandido mais, e os percentuais do emprego seriam bem mais animadores.
por Wilmar Nderle, economista
