Experimentar ou não?
Dia desses, eu estava olhando um cardápio que descrevia um drinque chamado “mojito” preparado de forma diferente. Perguntei desconfiado ao barman se ficava bom. Ele me disse: “Se o senhor nunca experimentou como é que vai saber se é bom?” E eu fiquei olhando para o rapaz com cara de tacho. Quantas coisas deixamos de saborear em nossas vidas por causa do preconceito, conservadorismo, medo de mudar e errar? O exercício diário é sair do quadrado e navegar por outros sabores, cores, formatos, cheiros e experimentar o gosto da mudança que pode mover montanhas. Testar novidades pode nos conduzir a acertos e erros. Mas não é fácil decidir se embarcamos ou não rumo a novos mares.
O ninho confortável é o maior inimigo do desconhecido. Só existe uma forma de descobrir se vale a pena: experimentando! O novo sabor pode ser doce ou amargo, a cor pode ofuscar o olhar ou apenas agradar, o formato delineado pelas novas ondas do design movimenta as novidades nos diversos produtos que se reinventam. As novas fragrâncias fazem levitar ou torcer o nariz. Os verbos mudar e experimentar se conjugam em conjunto para descortinar os ventos dos novos tempos. No filme nacional “Eu e Meu Guarda-chuva”, uma cena dizia que a gente é feito de memórias e somos prisioneiros da nossa existência. O menino Eugênio experimentou o guarda-chuva herdado de seu saudoso avô, e este lhe deu a coragem necessária para seguir em frente.
Quem nunca experimentou o perigo da batalha, a solidão de uma cadeia, a agonia da tortura ou as pontadas da fome pode se considerar um felizardo. Há, porém, aqueles que passaram pela dor, dificuldade, tristeza e sofrimento e aprenderam muito. Se você nunca errou, significa que nunca experimentou algo novo, já dizia Einstein. Eu proponho a você que experimente um nascer do sol, um sorriso pela manhã, um olhar encantador ou uma sensação de dever cumprido. São coisas simples que deixam a vida mais bela. Neste Ano Novo, vamos experimentar não julgar outras pessoas, a sensação da batida de uma música e tirar um 10 no trabalho mais difícil do ano. Algumas portas estão fechadas, mas, se não experimentarmos abri-las, nunca saberemos ser melhores hoje do que fomos ontem.
* por César Döhler, economista – cesardohler@terra.com.br / artigo publicado no A Notícia

