Saúde e crescimento econômico
Uma nova e eficaz política de saúde é o principal foco de um grupo expressivo de megaempresários norte-americanos que a defendem como base para assegurar o futuro dos Estados Unidos, de sua economia e de seu povo. Na última segunda feira, na Fundação Bloomberg (que administra as doações bilionárias do prefeito de Nova York), Michael Milken reuniu um grupo de 15 grandes personalidades das mais expressivas do mundo empresarial norte-americano, a quem apresentou dados surpreendentes sobre a conexão direta entre a saúde e a economia, assinalando que os avanços na inovação na medicina foram responsáveis por metade de todo o crescimento econômico dos Estados Unidos.
Quer dizer: 50% do PIB daquele país líder dependeram da inventividade dos laboratórios das universidades e das empresas farmacêuticas. Mas a vida ansiosa e estressante do homem contemporâneo, os maus hábitos alimentares, a poluição de todos os gêneros, tudo isso alterou o cenário, com o surgimento ou a potencialização de novas doenças, mais degenerativas e letais.
Em 1900, as estatísticas atribuíam à pneumonia (17%), à tuberculose (11%) e à diarreia (8%) as principais causas de mortes norte-americanas. No ano 2000, as doenças coronarianas lideram a mortalidade, com 30% dos óbitos. O câncer vem em segundo lugar, com 23%, e os derrames, em terceiro, com 7%.
Outra revelação surpreendente é a de que, não obstante invistam pesadamente na pesquisa científica e tecnológica, e tenham contribuído tanto para o desenvolvimento da humanidade, as empresas farmacêuticas valem bem menos (US$ 98 bilhões) do que as que fazem produtos de consumo (US$ 127 bi).
Essa exaltação ao consumismo explica a disseminação desenfreada da obesidade, que é o maior pesadelo dos governantes do grande país do Norte. Lá, em 1991, as pessoas obesas atingiam 15% da população. Hoje, a proporção de gordos crônicos já beira os 30%, ou seja, praticamente dobrou em menos de dez anos, atingindo, já, quase um terço da população dos Estados Unidos.
No Brasil, o quadro não é muito diferente. Entre 1996 e 2007, as mortes por diabete em pessoas cronicamente gordas cresceram assustadoramente: 10%. O Ministério da Saúde já proclama que, se não houver uma redução radical da obesidade, em 2022, chegaremos a uma situação similar ao quadro atual dos Estados Unidos.
A pessoa obesa é suscetível a contrair diabetes, doenças cerebrovasculares, problemas isquêmicos do coração e do pulmão; hipertensão, câncer, depressão e outros distúrbios mentais. No Japão e na China, onde os hábitos alimentares são saudáveis, os obesos atingem, respectivamente, apenas 1,6% e 1,7% do total da população. Por isso, eles têm uma longa expectativa de vida.
No país de Tio Sam, a bulimia por sanduíches, gorduras e comidas impregnadas de dependentes químicos está neutralizando os efeitos da inovação, pois a obesidade crônica já produz uma perda de US$ 1 trilhão por ano, com redução da produtividade e aumento dos custos da seguridade social. Precisamos combatê-la. Antes que seja tarde.
* por Luiz Henrique da Silveria, senador eleito / artigo publicado no A Notícia em 19.12.2010
