De incertezas e improvisos
Roberto Civita voltou a cobrar, na última edição da revista Veja (2197) um plano estratégico ao Brasil, com objetivos e metas de médio e longo prazo, para que o governo se oriente por uma plataforma coerente, com ações coordenadas e deixe de atuar na base da confusão. Ele cobra, por exemplo, definição sobre quem será o indutor do desenvolvimento: o estado centralizador ou haverá participação da iniciativa privada.
Apesar de aparentemente pueril, o dilema ainda é forte na seara política nacional e ganhou novamente viés ideológico na disputa entre Dilma Rousseff e José Serra. Na perda de tempo que parecia sem fim, ambos se desgastaram ao tratar dos investimentos para a exploração do Pré-Sal, como se a entrada de capital privado no setor, seja ele nacional ou internacional, fosse algo grave. Na prática, a bobagem não faz sentido, porque o fôlego do BNDES é curto para investimentos vultosos e se a livre iniciativa não participar, a exploração do petróleo não vai andar. E o governo sabe disso. Tanto é que a iniciativa privada já está participando e não é de hoje.
O fato de o Brasil ter sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 clama pela elaboração de um plano estratégico. Sem coordenação, o governo Dilma poderá ser um fiasco, colocando o Brasil na saia justa diante das autoridades esportivas internacionais.
Como a infraestrutura para os eventos precisam sair do papel de qualquer jeito, há o receio de que tudo seja feito às pressas e superfaturado. Ou seja, os oportunistas se aproveitem da situação, diante de um governo incapaz, para ganhar dinheiro fácil. Este, pelo menos, parece ser o caminho preferido dos políticos que já se posicionaram nos ministérios estratégicos que cuidarão dos eventos, como o Ministério dos Esportes e do Turismo.
Como a presidente eleita ainda é um enigma, por não se saber qual será o perfil do seu governo, o país inteiro está em suspense, aguardando a posse e o anúncio de suas primeiras medidas. O que a maioria espera é que a surpresa seja positiva e Dilma aja com severidade e determinação, respeitando cada centavo que lhe chega dos contribuintes. Inicie as reformas de base que o país tanto espera, enfim. Mas não podemos nos esquecer de que a aparência pode ser um engano, pois os ratos de porão estão à espreita, à espera do momento oportuno para agir. E Dilma também sabe disso. Resta saber se ela será conivente com os oportunistas.
Além das obras para os jogos e da infraetrutura para receber a enxurrada de turistas que virá, o governo precisa saber se os investimentos não serão apenas para resolver um problema de calendário e de compromisso e se terão um valor maior. Ou seja, não se pode perder a oportunidade e transformar esses investimentos em algo de utilidade posterior. Senão, corre-se outro risco de construir elefantes brancos, que ficarão abandonados assim que o mundo nos der as costas e votar à sua rotina. Novamente, isso só será possível com o planejamento estratégico, onde deve estar bem definido se o Brasil será um país moderno e pujante até o final desta década ou se permanecerá ao vento das incertezas e dos improvisos, como tem sido a sua rotina.
* por Luiz Antonio Balaminut, contador e advogado. www.balaminut.com.br – http://luizbalaminut.blogspot.com

