Peculiaridades das empresas de Joinville
Um estudo sobre as 12 maiores empresas privadas de Joinville revela que estas têm algumas características que as diferenciam das demais empresas que atuam no País. Das 12 maiores, 11 foram selecionadas a partir da 500 Maiores do Sul do Brasil, listadas pela PwC e publicadas pela revista “Amanhã”, na edição de 2010. Adicionou-se a esse grupo uma empresa com sede em outro estado, mas, com dois estabelecimentos em Joinville e que foram a ela incorporados.
Estas 12 empresas obtiveram, em 2009, receitas de R$ 12,5 bilhões. Calculando-se o valor adicionado pela média nacional, chega-se a um montante que equivale a mais de 40% do PIB de Joinville. Daí a representatividade.
Buscando-se informações sobre este pequeno grupo, principalmente, por meio das publicações das próprias empresas na internet, encontramos as características que as diferenciam. Desse grupo de empresas, 91,67% foram fundadas por imigrantes alemães e suíços, ou seus descendentes, e 75% são indústrias. No caso da empresa com sede em outro estado, levamos em conta os dois estabelecimentos de Joinville que já foram importantes indústrias locais.
Dos 75% que são indústrias, 75% começaram como pequenas iniciativas no setor e 25% se originaram e de casas comerciais.
Um aspecto bastante comum entre essas empresas é o do início dos negócios. Quase todas começaram em momentos de grandes oportunidades e aproveitaram ciclos de grande crescimento da economia brasileira. Do total, 66% se estabeleceram a partir de 1940.
De 1940 a 2007, a economia brasileira expandiu-se extraordinariamente, e a de Joinville muito mais. Em 1940, Joinville tinha uma participação de 0,19% no PIB brasileiro. Em 2007, o percentual já era de 0,45%, calculado a partir dos dados do Ipea.
Essa extraordinária expansão deu lugar a algumas mudanças naturais naquelas empresas criadas pelos imigrantes alemães e suíços ou seus descendentes. Uma das mais significativas foi o controle do capital. Atualmente, segundo as informações constantes das publicações das próprias empresas ou disponibilizadas pela Bovespa, 10% estão sob controle de capitais internacionais, 10% são controladas por capitais nacionais e 80% continuam nas mãos de capitais locais.
O grupo controlado por capitais locais, ou seja, 80% das empresas criadas pelos imigrantes ou seus descendentes, continuam com as mesmas famílias, 72% delas em segunda geração, 14% nas mãos da quarta geração e ainda 14% com a quinta. Não se trata da gestão, mas do controle acionário.
Sem ser conclusivo, as peculiaridades descritas constituem um dos principais pilares da longevidade e prosperidade dessas empresas e é, sem dúvida, uma das razões para a economia de Joinville ter crescido, nos últimos 60 anos, muito mais do que a do Brasil.
* por Wilmar Anderle, economista / artigo publicado no A Notícia

