IPTU Verde
Existe uma grande diferença entre a visão de longo prazo e a de curto prazo. O preço de olhar e pensar só no curto prazo é caro. A visão curta induz o administrador público a aumentar os impostos para ter mais recursos para executar mais obras e investimentos, para resolver os problemas que a cidade tem. A visão estratégica é aquela que enxerga além do horizonte dos quatro anos de uma gestão e que busca se antecipar aos problemas.
São Carlos, interior de São Paulo, implantou o IPTU Verde, que desonera em até 4% os proprietários que plantam árvores e mantêm áreas permeáveis. O objetivo é manter e aumentar a qualidade de vida das cidades, aumentar a cobertura verde, pelo aumento do número de árvores, reduzir a temperatura urbana, pelo efeito que o sombreamento produz em ruas e jardins. Porém, o principal objetivo desta política é a de aumentar a permeabilidade do solo, evitar ou minimizar o efeito de chuvas e enxurradas. O conceito é simples: evitar construir grandes obras públicas, como piscinões, tubulações e galerias, para resolver os problemas ocasionados pela impermeabilização das cidades.
O IPTU Verde, nos moldes que tem sido implantado em São Carlos, seria uma alternativa inteligente e viável para uma cidade como Joinville, que ainda mantém áreas verdes significativas, que devem ser preservadas. O resultado seria uma cidade mais verde, mais sustentável e com mais qualidade de vida para todos. É possível reverter ainda as iniciativas de aumentar a impermeabilização da cidade, que o poder público está estimulando de forma irresponsável e inconsequente. Devemos deter a constante transformação de áreas verdes e jardins em áreas de estacionamento pavimentadas. A redução de recuos e o aumento das áreas construídas representam uma bomba de tempo, que exigirá futuramente pesados investimentos públicos, para resolver problemas que poderiam ser evitados.
A lógica é que é mais econômico evitar fazer obras para corrigir problemas que não precisariam existir, se a cidade e, principalmente, seus administradores desenvolvessem uma visão estratégica de médio e longo prazo. Numa cidade situada quase ao nível do mar, com elevado nível freático, que sofre influência de marés em grande parte do seu perímetro urbano, não é lógico estimular a impermeabilização, o aumento do cinza e a perda da qualidade de vida. O preço será maior. Não será pago por esta administração, certamente será pago pelos mesmos contribuintes de sempre.
* por Jordi Castan, paisagista em Joinville / artigo publicado no jornal A Notícia
