Como melhorar nossa comunicação, criando hábitos para isso
Muitas barreiras impedem que a nossa comunicação flua naturalmente. Posso citar duas delas de forma mais abrangente: nossas defesas e o julgamento ou avaliação (suposição da razão pela qual o outro está manifestando algo). O segredo está justamente em percebermos nossos sentimentos e defesas e agirmos antes delas, conscientemente.
Essas defesas são muitas vezes comportamentos repetitivos que, em determinados meios, são até bem aceitos, mas a responsabilidade de observar, conhecer e aceitar a si mesmo é de cada um de nós, não pode ser delegada. Os outros já conhecem nossas ações, nosso comportamento. Somente cada um de nós pode buscar saber a razão desses comportamentos.
Assim, um diálogo interno, através de auto-estudo, ou seja, swádhyáya, a auto-observação, ajudariam a responder as perguntas para chegar às raízes e lembrar quem fomos, e ainda somos – antes de nos convencermos do que disseram que somos. Enxergar sua própria pureza e beleza interna. Ou seja, tornar o autoconhecimento uma habilidade diária, uma oportunidade.
Qual é, então, a sugestão? Posso oferecer dicas de autoconhecimento para melhorar a sua comunicação, porém, não pretendo com isso resumir o assunto, mas sim dar início a um grande caminho em busca dele. A todo instante, estaremos sempre querendo melhorar, poderemos alterar, introduzindo novas técnicas mais aperfeiçoadas e melhorando, acima de tudo, o conhecimento sobre si mesmo.
Primeiro sugiro utilizar as dicas como uma orientação, com base em um ponto de vista, que pode servir como uma pista fazendo você chegar a outras completamente diferentes e assim trilhar o próprio caminho de encontro ao desenvolvimento pessoal.
Tenho catalogado algumas dicas de como criar hábitos para aprender a ouvir com atenção e compreensão para realizar sempre uma boa comunicação, mesmo nas reações de defesa e julgamento.
Procurando tornar isso uma atitude ativa; afinal, estamos a todo instante nos comunicando com alguém, no trânsito, na padaria, no supermercado, no elevador do prédio onde moramos, cada pessoa que surge a sua frente é uma oportunidade de treinamento.
Hábitos a serem trabalhados:
•Tente repetir para a pessoa o que entendeu do que ela disse. Essa atitude dissipa as energias emocionais que eventualmente aparecem e facilita o entendimento da mensagem.
• Concentre-se no outro, você vai sentir-se mais relaxado, e a outra pessoa também se sentirá melhor. Além disso, o que todo mundo hoje precisa é ser ouvido e, sobretudo, entendido. Esses são os maiores desejos e necessidades dos seres humanos. Portanto, experimente ser essa pessoa e perceberá que você também, consequentemente, passará a ser mais ouvido, gerando força recíproca, troca e bem-estar nos seus relacionamentos.
•Descubra formas de expressar suas sensações e jamais supor as sensações do outro, pois só temos certeza (se é que se tem mesmo) das nossas próprias emoções e, das dos outros, temos apenas um vislumbre. Seja responsável pelo que você sente; afinal, é você que sente.
• Mantenha a segurança e tranqüilidade ao ouvir. O que impede essa atitude é justamente o medo de ter que ouvir algo indesejável, o que é muito natural de acontecer. Por termos ouvido melhor, descobrimos que precisamos mudar algumas atitudes e ações para melhorar a compreensão daquilo que estamos comunicando a outros membros do grupo.
• Comunicar-se é expor-se a nós mesmos, uma verdadeira oportunidade de autoconhecimento, um aprendizado sobre si, como se descobrir, como nascer de novo, pois nisso tudo há uma renovação de sensações e ações.
• Comunique-se com você primeiro
Como expõe o Prof. Frederico Port, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), no conteúdo da disciplina de Comunicação Interpessoal, muitas vezes a dificuldade de comunicação interpessoal começa com uma dificuldade de comunicação intrapessoal.
Para melhorarmos essa comunicação pode-ser usar como chave o autoconhecimento melhorando o diálogo interior. Aqui percebemos o trabalhão que dá realizar o desenvolvimento humano como uma grande necessidade e como condição essencial para uma boa comunicação e o aperfeiçoamento das relações entre as pessoas.
Dessa forma, para nos conhecermos e realizarmos um auto-estudo, basta utilizarmos uma ferramenta que nos ajude nesse processo. Você, nessa altura, já deve ter lembrado que nossas técnicas e conceitos atuão diretamente como uma escolha de filosofia de vida, e tem como objetivo o autoconhecimento. Para gerá-lo, precisamos nos observar, nos “auto comunicarmos”. Portanto aqui está também uma chance de desenvolvimento pessoal.
O Método DeRose utiliza como ferramenta as diversas técnicas da cultura ancestral do Hinduísmo e possui profissionais habilitados para lhe orientar nas práticas, sugerindo atividades que podem lhe auxiliar nesse processo.
No Código de Ética do yôgin, elaborado pelo Educador DeRose e inspirado no Yôga Sútra de Pátañjali, o termo auto estudo, está relacionado à swádhyáya que constitui-se a nona norma do código de ética do Yôga. Segundo o qual o yôgin deve buscar o autoconhecimento mediante a observação de si mesmo.
Pode-se perceber aqui a real atuação das técnicas desse método para o desenvolvimento do ser humano. Esse auto estudo também pode ser obtido através da concentração e meditação. Será auxiliado pela leitura de obras indicadas e, na mesma proporção, obstado por livros não recomendados pelo orientador competente. O convívio com o professor é o maior estímulo ao swádhyáya. Deve ser praticado ainda mediante a sociabilidade, o alargamento do círculo de amizades e o aprofundamento do companheirismo.
Como todas as outras normas do Código de Ética, esse possui também um preceito moderador: A observância de swádhyáya não deve induzir à alienação do mundo exterior nem à adoção de atitudes que possam levar a comportamentos estranhos ou que denotem desajustes da personalidade.
Portanto, se você já é nosso aluno pratique mais durante essa semana, se ainda está em dúvida em começar, procure orientação com nossos profissionais e leve a sério a possibilidade de iniciar suas atividades.
* por Ariane Marques, coaching em Florianópolis – http://arianemarques.com/

