O clima da empresa é fundamental
A missão do CEO é promover o crescimento do negócio, garantir o retorno aos acionistas e assegurar o sucesso e a perpetuação da empresa. Para isso, ele conta com uma equipe engajada com as metas da empresa, atuando de forma mais produtiva e eficiente e satisfeita com o trabalho e o clima organizacional.
Isso pode parecer óbvio nos dias atuais, mas nem sempre foi assim. À exceção das empresas excelentes, a maior parte das organizações no passado entendia que os profissionais deveriam apenas cumprir o seu dever e tarefas pré-estabelecidas e receber um ou outro benefício além do que determina a legislação. Os benefícios eram considerados uma generosidade da empresa.
Hoje, os executivos não têm dúvidas de que equipes bem-preparadas, engajadas e motivadas constituem até o principal ativo de uma organização, principalmente em tempos de escassez de talentos. Mas, para reter essas equipes e atrair novos talentos, o ambiente de trabalho transformou-se em vantagem competitiva e moeda de negociação.
Dirigentes de “alto-astral” transmitem e propagam esse clima para toda a empresa, gerando bons índices de companheirismo no trabalho e incentivando a multifuncionalidade. O clima de bem-estar cria confiança e credibilidade, promove o senso de justiça, inspira respeito e estimula o sentimento de camaradagem e o orgulho dos funcionários em pertencerem à empresa. Mais do que trabalhar na companhia, os funcionários se sentem parte dela.
Essa necessidade resultou até na criação de empresas especializadas em oferecer para as organizações ideias e programas de incentivo para recompensar e motivar os profissionais.
Daí surgiram denominações como marketing de incentivo e marketing de experiência, que têm entre seus objetivos motivar os profissionais e recompensá-los por metas alcançadas ou superadas.
Além dos tradicionais bônus em dinheiro, usam e abusam da criatividade. O chamado marketing de experiência procura realizar o sonho ou um desejo do profissional e proporcionar-lhe momentos inesquecíveis, como passear em um balão ou asa delta, frequentar um curso sobre vinhos, passar a noite em um castelo europeu, participar de um safári na África ou pilotar um bólido de Fórmula 1.
Algumas dessas empresas especializadas em marketing de experiência chegam a ter um cardápio de milhares de opções, para todos os gostos. O mimos valem não só para os funcionários da empresa, como também para consumidores.
O horário de trabalho é não só um dos fatores que interferem no estresse, mas um ponto nevrálgico na disposição dos funcionários. Por isso, qualquer flexibilização na quase sempre rígida jornada pode alterar os humores para melhor.
Cientes disso, algumas empresas vêm implantando práticas como a de não realizar reuniões às segundas pela manhã, limitar o trabalho no máximo até as 20 horas, encerrar o expediente mais cedo às sextas-feiras ou mesmo adotar horários flexíveis.
A relação de benefícios e programas depende da criatividade e da “personalidade” da empresa. Cafés da manhã com grupos de funcionários, happy hours, festivais, gincana, viagens de aventura, saraus literários…
Se você trabalha numa empresa que prima pela criatividade e se esforça para melhorar o clima, maravilha. Se não, tente construir um ambiente melhor, a começar pelo seu pedaço. O exemplo pode beneficiar toda a empresa.
* por Marcelo Mariaca, presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School / artigo publicado no Brasil Econômico

