Deixar uma marquinha no universo
Uma mente irrequieta. Assim era a cabeça de Steve Jobs, fundador da Apple e que foi um visionário. Sem muita perspectiva de vida na adolescência, encontrou na informática o caminho que o tiraria do ostracismo, da miséria e da ociosidade.
Nas 279 páginas do livro A cabeça de Steve Jobs, do jornalista Leander Kahney, que trata das lições deste líder considerado revolucionário, é possível ter uma noção da trajetória dele, suas crenças empreendedoras, seu método de trabalho pouco ortodoxo e sua busca constante pela perfeição.
Aliás, perfeição é uma utopia posta como meta por muitos empresários, gerentes e profissionais que querem, dentro de suas atividades, fazer o melhor. Mas Jobs possivelmente foi um dos poucos, senão o único, a alcançar este ideal, como pode-se observar nos produtos lançados pela Apple que são altamente tecnológicos, inovadores e, por mais incrível que pareça, simples.
Uma das principais lições que Steve ensinou ao mundo corporativo foi que funcionalidade e design devem andar juntos. Um bom traço, uma boa linha, uma cor adequada, atrelado à simplicidade, funcionalidade e inovação constante podem ser o norte na hora de desenvolver um produto ou serviço.
Outro ensinamento não menos importante é a busca constante pelos melhores profissionais. Formar a melhor equipe, remunerá-la de forma justa para reter talentos e dar liberdade criativa são essenciais à otimização do processo. Fazendo assim, também é possível efetuar as cobranças para um alto rendimento da equipe, sem constranger cada profissional, que sabe exatamente o valor do seu trabalho, bem como seu valor dentro da organização.
Outro ponto destacado pelo autor sobre Steve é a obsessão por achar que tem uma missão, um chamado e, por conta disto, busca deixar sua “marquinha no universo”. Ou seja, contribuir para a sociedade, ajudando a melhorar a vida das pessoas por meio de seus produtos e serviços. Jobs ensina que cada atividade deve ser usada para proporcionar boas experiências às pessoas. Não se trata apenas de ganhar dinheiro, mas o retorno financeiro é resultado de boas experiências que se proporcionam às demais pessoas.
De onde vem a inovação? Este é um dos capítulos mais instigantes do livro. E, por tratar-se de Jobs, a curiosidade se aguça ainda mais. De fato, Steve foi um homem à frente do seu tempo em se tratando de tecnologia e produtos de ponta. Mas nem tudo é lampejo de inspiração. Existe sim um processo, uma metodologia e uma informação importantíssima que o ex-CEO da Apple demonstra não com palavras. Trata-se de prestar a atenção no mercado, e o mercado é feito de gente.
Porém, no caso de tecnologia e inovação, Jobs descarta grupos focais. Para ele, as pessoas não sabem o que querem até que alguém mostre a elas!
A lição maior que se pode tirar das informações contidas no livro de Kahney é que as máquinas, por mais modernas, tecnológicas e inovadoras que sejam, não substituem o homem com suas necessidades, criatividade e desejo de – com auxílio dos aparelhos ou não – desenvolver suas atividades diárias da melhor maneira possível desde que se goste do que se faz. Em resumo: ame seu trabalho ou deixe-o!
* por Osni Alves J, 29, jornalista
