Ano-novo e serenidade
Mais um ano termina. Houve alegrias e tristezas, vitórias e derrotas. É nessa época que fazemos o balanço do período que finda e concluímos se ele foi bom ou ruim. Damos graças pelo novo ano quando o balanço foi negativo e rogamos para que o próximo seja igual ao que termina quando foi positivo.
Tendemos a dar mérito ou culpar o ano pelas coisas que nele aconteceram. Ele, no entanto, não é responsável por nossos êxitos e desventuras. É apenas uma divisão arbitrária do tempo baseada no período em que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol. Não é positivo ou negativo. Tampouco é bom ou ruim.
É preciso perceber que somos responsáveis pela maior parte do que nos aconteceu e aproveitar o momento atual para refletir. Certamente fizemos coisas boas, que devem ser repetidas no futuro. Nossos acertos são fáceis de reconhecer. Difíceis de notar são os erros. Tendemos a culpar os outros pelas dificuldades, mas elas, em grande parte, decorrem de nossas atitudes.
É preciso maturidade para identificar que muitos resultados negativos dependeram exclusivamente de nossas escolhas. É certo que se continuarmos a agir do mesmo modo teremos resultados equivalentes. É por isso que, neste momento de reflexão, devemos indagar quais desventuras foram por nós provocadas e quais são apenas contingências da vida.
Estabelecendo a diferença, podemos traçar uma linha de conduta para os dias vindouros. Aquilo que está em nossa esfera de controle pode mudar, e com a mudança certamente teremos resultados diferentes.
O que não pudermos alterar deve ser aceito, por mais doloroso que seja. Não há alternativa. É a única conduta a ser adotada, pois não há como mudar o que não pode ser mudado. É algo óbvio de se falar, mas extremamente difícil de perceber concretamente. Há quem passe a vida em uma luta inglória contra “moinhos de vento”.
É por essa razão que ao escrever o último artigo do ano, desejo a todos serenidade e encerro o texto com uma prece que leve esta palavra em seu nome. Desejo-lhes que no próximo ano Deus lhes conceda coragem para modificar o que pode ser modificado, serenidade para aceitar aquilo que não pode ser mudado e sabedoria para reconhecer a diferença entre ambos. Boas festas e feliz 2012.
* por Marcelo Harger, advogado – marcelo@hargeradvogados.com.br / artigo publicado no A Notícia
