Governo prega falso otimismo diante dos problemas econômicos
O Banco Central efetuou uma estimativa que antecipa o fechamento da expansão do PIB, através do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que envolve três segmentos: serviços, indústria e agropecuária. Como houve uma pequena recuperação no mês de junho/2012, o governo e a equipe econômica já imaginam a recuperação do nível de atividade nos próximos meses.
As medidas insuficientes que foram tomadas não amenizam o problema econômico que o País atravessa. Existe uma grande deficiência na logística interna, encarecendo substancialmente os custos de produção e vendas. Os tributos de maneira geral ainda estão elevados para diversos segmentos e os juros subsidiados para financiamento da expansão daindústria beneficiam somente as empresas de grande porte.
As micro, pequenas emédias têm dificuldade de conseguir patamares competitivos de juros, em virtude da burocracia e da dificuldade em elaborar as documentações exigidas pelos Bancos. No 2o semestre/2012, governo e equipe econômica estão com esperanças de que a pequena melhora de junho, quando o crescimento do IBC-Br foi de 0,75% em comparação com o mês anterior, se reflita nos meses posteriores, que costumam ser melhores em virtude das festas relacionadas ao Dia das Crianças, Natal e Ano Novo, aliadas às campanhas políticas relativas às eleições municipais, que geram investimentos, aquecendo os diversos setores.
O que se que precisa ter em mente é que o governo já está se endividando, por conta da falta de manutenção de patamares saudáveis do superávit primário e o passivo futuro,ocasionado pelas greves que estouram em diversos Estados da Federação, como dos professores, agentes fiscais etc. Uma das preocupações é que o aumento salarial para conter os movimentos não saia dos cofres agora, mas certamente o governo terá problemas se não colocar no orçamento a possibilidade de reajuste do funcionalismo.
Será necessário um remanejamento das verbas, com cortes nos investimentos ou aumento novamente da carga tributária, que já esta sendo pensada. Uma das mudanças seria na forma de cálculo do PIS e COFINS das empresas pelo Lucro Presumido, que passaria a ter a mesma base de quem efetua o cálculo pelo Lucro Real, ou seja, não cumulativo, o que certamente aumentaria a arrecadação tributária e reduziria substancialmente o planejamento das organizações em geral.
Com isso, haveria risco de aumentar ainadimplência tributária e a sonegação fiscal, prejudicando sensivelmente osuperávit primário e ameaçando o serviço da dívida pública. Outro perigo iminente é a majoração dos derivados de petróleo para os diversos consumidores, que se transformaria em gatilho para o aumento generalizado de preços em todos os segmentos, podendo provocar o retorno da inflação, em virtude da perda gradual do valor da moeda.
A decisão de investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos veio de forma muito tardia e somente se refletira na economia após, no mínimo, um ano de obras realizadas, mas, como o governo não tem gordura para investir, usará o artificio muito criticado, mas talvez o único possível, que é o PPP – Parceria Público Privada. As privatizações já começaram por três grandes aeroportos:Guarulhos, Viracopos e Brasília, que também deverão refletir-se no futuro e não agora. Otimismo não garante qualidade da vida.
O que é fundamental são decisões pontuais que o governo esta tomando, mas de maneira tardia. Não sepode ficar na dependência de investimentos externos, manutenção de preço dos combustíveis, mão de obra que está cada vez mais difícil e que se transformará brevemente em um gargalo. É necessário cortar gastos desnecessários e conferir total transparência das despesas públicas para o devido acompanhamento da população.
* por Reginaldo Gonçalves, coordenador de Ciências Contábeis da FASM (Faculdade Santa Marcelina).
