Gastos ineficientes em educação
Estudantes brasileiros têm ficado muito mal posicionados no Pisa, teste de proficiência internacional que afere a qualidade do ensino em diferentes países. A Coreia do Sul, por outro lado, vem recorrentemente sendo destaque positivo nesses mesmos testes, posicionando-se nas primeiras colocações. Uma explicação apressada poderia indicar que a Coreia investe muito na educação, e o Brasil, pouco. Ao olharmos os números, todavia, vemos que os dois países destinam em torno de 5% do PIB a essa área. Conclusão: eles investem bem e nós, mal. Segundo a Unesco, o Brasil aplica mais do que a média dos países emergentes e do que os países do G7 no campo da educação.
Mais uma vez, infelizmente, o Brasil quer resolver o problema pelo caminho mais fácil, à custa do contribuinte, uma vez que aumentos de despesas públicas sempre levam a aumentos de impostos. Em vez de buscarmos a eficiência do gasto, surge a tentativa de dobrar os recursos para o setor. Projeto que tramita no Congresso propõe ampliar para 10% do PIB os gastos com educação. A presidente Dilma Roussef, ciente dos riscos de elevar ainda mais os gastos correntes, taxou esse projeto, e outros que também propõem majoração de despesas, de aventuras fiscais. Espera contar com a ajuda de prefeitos e governadores, que também terão as contas afetadas, para sustar essas manifestações de parlamentares insensíveis aos sacrifícios que a já descabida carga tributária impõe ao cidadão e, especialmente, à competitividade da economia. É mais um instrumento utilizado pelo presidente da Câmara de Deputados para demonstrar à presidente sua insatisfação com a contida liberação de emendas parlamentares para o seu grupo, e o não atendimento de pedidos de cargos no segundo e terceiro escalões. Interesses particulares prevalecendo sobre os da sociedade.
Uma das grandes distorções na aplicação de verbas na educação no Brasil é o descompasso entre o que o Estado gasta com um universitário e um aluno do ensino fundamental: aproximadamente seis vezes mais. Enquanto isso, na Coreia do Sul, esses números estão mais equilibrados, ao redor de dois para um. Essa discrepância se explica, basicamente, pela necessidade de custear universidades públicas gratuitas, que atendem, em sua maioria, a alunos com condições financeiras de pagar por seus estudos. É um modelo ultrapassado, em extinção, que deve ser substituído por outro que preveja bolsas de estudos para alunos carentes, como na maioria dos países que apresentam bom desempenho escolar. Assim, sobrariam recursos para melhorar a qualidade dos ensinos fundamental e médio, pela modernização de grades curriculares, treinamento e avaliação de professores, instalação de laboratórios, para citar alguns exemplos.
E justamente essas universidades públicas estavam novamente em greve, prejudicando a vida escolar de milhares de jovens. Segundo o sociólogo Alberto Carlos de Almeida, desde 17 de maio que o contribuinte vem pagando os salários de professores universitários que só agora estão voltando às aulas, no que denomina de a maior greve remunerada de que se tem notícia, em detrimento dos pagadores de impostos brasileiros.
Se a educação é tão importante para o país, por que não copiar o que está dando certo em outros lugares, ou apenas usar o bom senso?
Isso evitaria a necessidade de penalizar, novamente, o contribuinte, a competitividade da economia do país e a capacidade sustentada de gerar empregos de qualidade.
* por Carlos Rodolfo Schneider, vice-presidente da Ciser, de Joinville, e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)

