Vale a pena pagar tanto imposto?
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que, entre os Brics, o Brasil apresenta a carga tributária mais alta, superando, também, todos os países da América Latina. Segundo o IBPT, o brasileiro destinava, em 2003, em torno de 37% da renda bruta para o pagamento de impostos, proporção que subiu para 41% em 2012.
Os números ganham corpo, mas a contrapartida para a sociedade não merece elogios. Hoje, o brasileiro trabalha cinco meses no ano somente para pagar impostos, os serviços públicos oferecidos não chegam sequer a uma qualidade razoável e o Custo Brasil cresce cada vez mais. A sociedade, mais uma vez, sai perdendo nesse jogo.
De acordo com o Boletim Estatístico do Ministério do Planejamento, o número de funcionários ativos do Judiciário aumentou em 40%, entre 2003 e 2011, passando de 82.657 para 121.760, com a despesa média por servidor subindo de R$ 7.125, em 2003, para R$ 11.709 neste ano.
No Congresso, o número de servidores ativos saltou de 22,9 mil para 25,088 mil entre 2003 e 2011, aumentando a despesa média por funcionário de R$ 8.648 para R$ 13.887.
Diz o economista Paulo Rabello de Castro, coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE): “Os servidores públicos federais fizeram greve por ainda melhores remunerações, alegando que a folha de pagamentos hoje pesa, em termos percentuais do gasto público, bem menos do que antes. Esquecem que o total sobre o qual fazem suas contas – a despesa total do governo – também aumentou em termos do PIB, ou seja, está pesando muito mais sobre as costas dos que pagam impostos para assegurar a máquina pública”.
O economista ressalta que a carga tributária no Brasil avançou mais do que em qualquer outro país do mundo, em cerca de 7 pontos percentuais, fazendo recuar a eficiência geral da economia em 3,5%. Ou seja, ele diz, um ano inteiro de crescimento econômico foi perdido para sustentar o avanço do Estado. “Com essa política de alto gasto público, o Brasil está literalmente enxugando gelo. Enquanto a máquina pública é reajustada e ‘estimulada’, o incentivo come a competitividade privada. Noves fora, andamos para trás. Essa é a raiz do baixo desempenho do PIB na gestão Dilma, herdeira de um Estado pesado e ineficiente, criado e alimentado ao amparo das leis”.
* por Carlos Rodolfo Schneider, vice-presidente da Ciser, de Joinville, e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)

