Tributação é principal prioridade das empresas para o próximo governo, aponta FGV

A política tributária aparece como a principal preocupação do setor empresarial para o próximo governo federal. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), realizado antes do primeiro turno das eleições de 2026, mostra que 54,2% das empresas consultadas colocam o tema entre as prioridades para os próximos quatro anos.
A pesquisa indica que a atenção das companhias está concentrada, sobretudo, em questões relacionadas ao ambiente econômico e às condições para operação dos negócios. Depois da tributação, aparecem as contas públicas, citadas por 27,1% das empresas, a redução da burocracia, com 24,8%, e os investimentos em infraestrutura e logística, com 24,7%.
Reforma tributária amplia atenção sobre impostos
A liderança da tributação no levantamento ocorre durante a transição para o novo sistema de cobrança de impostos aprovado pela reforma tributária. Para as empresas, a implementação das novas regras tende a exigir adaptações operacionais e planejamento ao longo dos próximos anos.
A reforma prevê a substituição e a reorganização de diferentes tributos sobre o consumo. Embora tenha como objetivo simplificar o modelo, a fase de transição pode gerar custos de adequação para as companhias, segundo a análise apresentada no material. A implantação integral do novo sistema está prevista para 2033.
Segundo a Folha de S. Paulo, o setor empresarial ainda não identifica uma solução definitiva para os problemas relacionados à reforma. A preocupação, nesse caso, está menos na aprovação das mudanças e mais na forma como elas serão implementadas.
Contas públicas e burocracia também estão no radar
Além da tributação, a situação fiscal do país ocupa posição relevante entre as prioridades apontadas pelos empresários. As contas públicas aparecem em segundo lugar, mencionadas por pouco mais de um quarto das empresas.
A redução da burocracia vem logo depois. O resultado indica uma demanda por processos administrativos mais simples, enquanto infraestrutura e logística aparecem praticamente no mesmo patamar de preocupação.
Outros temas receberam percentuais menores. Segurança pública foi mencionada por 18,2% das empresas, seguida por acesso ao crédito, com 15,6%, e qualificação da mão de obra, com 15%. Proteção à concorrência aparece com 12,8%, abertura comercial com 8% e outras prioridades somam 8,4%.
Prioridades variam conforme o setor
Embora a tributação lidere em todos os segmentos apresentados pela pesquisa, o peso dos demais temas muda de acordo com a atividade econômica.
Na indústria de transformação, 51,5% das empresas apontam a tributação como prioridade. Em seguida aparecem contas públicas, com 30,7%, e infraestrutura e logística, com 29,4%.
No setor de serviços, a tributação é citada por 54,7% das empresas. A redução da burocracia ocupa a segunda posição, com 28,2%, enquanto as contas públicas aparecem na sequência.
No comércio, a tributação também lidera, com 58% das respostas. Já na construção, o tema é citado por 54% das empresas, mas infraestrutura e logística ganham maior relevância, assim como a qualificação da mão de obra.
Falta de mão de obra preocupa construção
A pesquisa destaca uma particularidade da construção civil. A qualificação dos trabalhadores aparece entre as três principais prioridades do setor e é mencionada por 26,8% das empresas.
A dificuldade não está apenas na formação profissional, mas também na disponibilidade de trabalhadores interessados nas ocupações do segmento. A avaliação é que características como maior esforço físico e jornadas consideradas mais exigentes podem contribuir para a dificuldade de contratação.
Tema tributário também está presente no debate eleitoral
A reforma tributária também integra as propostas apresentadas na disputa presidencial. O material registra que Flávio Bolsonaro defendeu em seu programa de governo uma revisão e um redimensionamento da reforma. Já o plano de Lula sustenta a continuidade da implementação do projeto aprovado, com a expectativa de aumentar a transparência do sistema e reduzir disputas tributárias entre União, estados, Distrito Federal e municípios.
A sondagem foi realizada em agosto, antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Os resultados mostram que, independentemente das diferenças entre os setores, questões ligadas à tributação, ao equilíbrio das contas públicas e ao ambiente de negócios concentram as principais expectativas empresariais para a próxima administração federal.
Fonte: CNBC

