Como as decisões são tomadas
Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
- Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos.
- Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
- Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
- Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028.
- Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,03%, 4,22% e 3,80% – todas acima da meta central de inflação.
Especialistas comentam
Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, o atual cenário da economia, mesmo com as estimativas de inflação do mercado acima da meta central neste e nos próximos anos, permite a continuidade do ciclo gradual de corte de juros nesta reunião do Copom, para 14% ao ano, “mas recomenda cautela na comunicação e menor comprometimento com os passos futuros da política monetária”.
“O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista. A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência adicional na condução dos juros”, avaliou Felipe Salles, do C6 Bank.
O economista Marco Antonio Caruso, do Santander, observou que os dados de inflação nos últimos meses têm sido favoráveis. Para ele, o IPCA-15 de julho surpreendeu significativamente para baixo, “apresentando uma composição mais benigna e sinais encorajadores nos indicadores de núcleo”.
“Os dados não resolvem o problema da inflação, nem eliminam o fato de que a inflação de núcleos e a de serviços permanecem acima dos níveis compatíveis com a meta. No entanto, eles reduzem a urgência de uma mudança para uma postura mais restritiva (hawkish) e reforçam a visão de que a deterioração qualitativa da inflação pode ter deixado de se acelerar”, concluiu Marco Antonio Caruso, do Santander, em comunicado.


