Taxa das blusinhas completa um ano e varejo critica falta de isonomia

Setor afirma que a carga tributária no Brasil é muito maior para indústria e varejo nacionais do que para os comerciantes estrangeiros – Foto: Getty Images
Um ano depois da retomada do imposto de importação (II) sobre compras de até US$ 50, o varejo brasileiro segue reclamando da falta de uma concorrência justa com as plataformas de vendas internacionais, como AliExpress e Shein.
“Cruzada” para sensibilizar estados
Em entrevista ao Metrópoles, o diretor-executivo da Abvtex afirmou que representantes do varejo estão, desde o início do ano, em uma “verdadeira cruzada” pelo país para convencer os estados a internalizar o convênio aprovado pelo Comsefaz em 2024 e, assim, assegurar a cobrança de ICMS de 20% sobre as importações a partir de 1º de janeiro de 2026.
Mesmo com os esforços, Lima revelou que as negociações com os estados ainda não evoluíram. Ele atribui a falta de consenso ao cenário político, marcado pela percepção de governadores de que a atualização do ICMS representaria um aumento da carga tributária da população.
“A gente não conseguiu ainda evoluir com nenhum estado nesse sentido. Apesar das secretarias da Fazenda entenderem que esse é um movimento correto e que é justo que se haja esse aumento para buscar igualdade de condições”, declarou.
O diretor-executivo acrescenta que a proximidade das eleições de 2026 torna ainda mais difícil o avanço do tema, devido à impopularidade do tema na sociedade, que rejeitou fortemente a vigência da “taxa das blusinhas”.
Uma pesquisa da consultoria Plano CDE, divulgada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), identificou que 14 milhões de pessoas das classes C, D e E deixaram de importar produtos on-line entre agosto de 2024 e abril de 2025. Isso representa uma queda de 35%. Nas classes A e B o número é menor, com redução de 11% dessas compras.
Estigma da “taxa das blusinhas”
Desde a retomada da cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, o varejo notou mudanças significativas, como a retomada do crescimento do setor, antes estagnado, e o aumento dos investimentos.
Para reverter o estigma da “taxa das blusinhas”, Lima defende a divulgação de dados que mostrem os efeitos positivos da medida, como a geração de empregos, a expansão do varejo e o crescimento da arrecadação.




