Relatório aponta que inflação no Brasil é uma das mais altas no mundo
Na lista de 19 países mais a União Europeia, somente Turquia, Argentina e Rússia têm inflação acima da brasileira
O Brasil é um dos países que tem puxado a fila da inflação mundial. É o que aponta o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira (5).
Na lista de 19 países mais a União Europeia que compõe o G20 (grupo das 20 maiores economias do planeta), somente Turquia, Argentina e Rússia têm inflação acima da brasileira no acumulado em 12 meses até maio deste ano, embora os ocupantes do pódio ostentem taxas muito superiores à nacional.
Enquanto a alta de preços no Brasil alcançou 11,7% no período, a da Turquia disparou 73,5%. As taxas na Argentina e na Rússia atingiram 60,7% e 17,1%, respectivamente.
Considerando todo o grupo do G20, a inflação acumulada no período é de 8,8%.
No relatório ampliado da inflação dos 38 países que fazem parte da OCDE, o índice de preços ao consumidor subiu para 9,6% em maio, em comparação com 9,2% em abril. Isso representa a maior inflação nesse grupo desde agosto de 1988.
Alimentos e energia foram reportados pela organização como setores com relevante contribuição para a escalada dos preços.
Na área coberta pela OCDE, a inflação dos alimentos atingiu 12,6% em maio, contra 11,5% de abril. No caso da energia, a disparada acumulada no custo atingiu 35,4%, também em maio, acima dos 32,9% em abril.
Disparada foi motivada por pandemia e guerra
Economistas e analistas de mercado apontam dois grandes motivos para a disparada mundial dos preços. O primeiro está relacionado aos gargalos no escoamento de bens e insumos provocados pelas interrupções de atividades devido às políticas sanitárias de controle das infecções pelo coronavírus.
Com o avanço da vacinação e a redução das restrições sanitárias, porém, a demanda cresceu além da capacidade de produção e distribuição. Isso gerou uma inflação global provocada pela baixa oferta.
A invasão da Ucrânia pela Rússia agravou os problemas na oferta, sobretudo a de grãos e, ainda mais, a de derivados do petróleo. A guerra é, portanto, regularmente apontada como o motivo secundário para a disparada nos preços.
No centro da pressão inflacionária agravada pelo conflito na Europa está o embargo de Estados Unidos e União Europeia ao petróleo da Rússia, uma das principais produtoras globais da matéria-prima.
Recentemente, porém, a preocupação com a inflação passou a dividir espaço com o temor de uma recessão mundial, resultando na queda do petróleo. O barril do Brent caiu quase 10% terça-feira, embora ainda acumule alta de mais de 30% neste ano.
Para tentar frear a maior inflação no país em 40 anos, o Fed (banco central dos Estados Unidos) aplicou em junho um aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros. Essa foi a maior elevação desde 1994.
Investidores temem que o Fed e outras autoridades monetárias das principais economias exagerem na alta dos juros e que essa restrição ao crédito provoque a desaceleração da economia mundial.
NSC Total


